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A Ordem do Templo
No final do séc. XI a Palestina vivia uma situação de caos e anarquia que tornava as peregrinações aos lugares santos muito perigosas. Os peregrinos e outros viajantes enfrentavam caminhos infestados de bandidos que, não só roubavam, como matavam os que se aventuravam nestas viagens.
Urbano II convocou a Cristandade para defender Jerusalém, iniciando assim as Cruzadas do mundo ocidental em território do Oriente.
É neste processo que, em 1118, um grupo de nove cavaleiros cruzados decide “abandonar as coisas do mundo” e jura dedicar-se à protecção dos peregrinos pelos caminhos da Terra Santa. O seu mestre fundador, foi um cavaleiro da Borgonha, Hugo de Payens que, auxiliado pelo Rei Balduíno II da Palestina e por S. Bernardo de Claraval, obteve do Papa o estatuto de Ordem religiosa e militar para si e seus companheiros, que passaram a designar-se por “Pobres Cavaleiros de Cristo”.
Foi no terraço do Templo de Salomão, em Jerusalém, que tiveram a sua primeira sede. Este local era, na verdade, a Mesquita de Omar transformada em igreja cristã pelos cruzados, a qual, passou mais tarde a designar-se por Templo da Rocha. Foi assim que os Pobres Cavaleiros de Cristo passaram a ser conhecidos como Cavaleiros do Templo de Salomão ou apenas, Cavaleiros Templários.
Para angariarem fundos para a sua causa, estes cavaleiros nomearam alguns dos seus irmãos como procuradores da sua ordem na Europa, entre eles o próprio Hugo de Payens e, assim, iniciaram um movimento de cavalaria religiosa extraordinariamente poderoso, quer militarmente, quer em bens e privilégios, na dependência directa e exclusiva, do Papa.
A sua missão durou cerca de 200 anos, período durante o qual a Palestina esteve sob o domínio dos cruzados e o poder dos Templários cresceu graças à sua disciplina militar e a uma organização logística eficaz e inovadora.
A queda de Jerusalém em 1291, marca o início da trágica história dos Templários que, perseguidos por Filipe IV de França, num processo iniciado em 13 de Outubro de 1307, confirmado pela bula de Clemente V, Vox in Excelso, de 22 de Março de 1312, determina a extinção da Ordem do Templo. Este processo arrastar-se-á durante cerca de sete anos e culminará com a morte na fogueira do último mestre templário, Jacques de Molay.
Em Portugal, por razões de Estado, e porque na Península Ibérica a ocupação muçulmana prevalecia, D. Dinis não acata as ordens do Papa e, pelo contrário, cria a Ordem de Cristo para a qual transitarão os bens e os cavaleiros da extinta Ordem.